| Conjunto
Cultural da República - Brasília,
Setor Cultural |
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Texto do arquiteto Oscar
Niemeyer
Até hoje o Eixo
Monumental não foi terminado. Isso
muito nos aflige, desejosos de que ele se
complete dentro do mesmo espírito
da arquitetura já realizada. Graças
às decisões que o governador
Joaquim Roriz vem tomando, uma nova esperança
surge então para nós. E explicar
os últimos projetos elaborados e
mostrar como são importantes, completando
aquele eixo com os setores culturais indispensáveis,
é o que vou fazer.
Os dois setores culturais que ladeiam o Eixo
Monumental até o momento não
foram concluídos. No setor leste, que
começa depois da Catedral, estão
previstos o Museu e a Biblioteca; no outro,
o programa foi alterado. Antes era proposto
o edifício do Arquivo Nacional, que,
em boa hora, decidiram construir em local
mais adequado, substituindo-o por edifícios
de caráter cultural, como uma grande
casa de espetáculos, uma série
de cinemas seguidos de locais de encontro
e um planetário. Todos por mim desenhados
agora.
O primeiro projeto que propus para o Museu
de Brasília previa um grande bloco
com 180 metros de extensão, suspenso
em dois apoios centrais e, conseqüentemente,
balanços laterais de 80 metros. Era,
sem dúvida, uma solução
audaciosa e cara. E o relatório da
comissão encarregada de avaliar a sua
exequibilidade, que louva a arquitetura do
museu, não recomendou sua realização.
Alegaram sobretudo problemas de custo.
Considerando a urgência de se iniciarem
as obras para a conclusão do Eixo Monumental,
falei pelo telefone com Gilberto Dupas, presidente
daquela comissão, e a idéia
de um novo projeto, muito mais econômico,
se impôs. É o projeto que agora
vou apresentar, de execução
mais simples, e talvez dois terços
mais barato do que o primeiro.
O Museu de Brasília compreende uma
grande cúpula com 80 metros de diâmetro,
o térreo destinado aos serviços
gerais e um auditório para 1000 pessoas.
No primeiro andar, o grande salão que,
balanceada 15 metros, liga espetacularmente
os dois pisos, e, quebrando a geometria severa
da cúpula, o restaurante aberto para
a paisagem e o céu imenso da nova capital.
E incluímos no programa do Museu uma
escola de arte, que servirá como iniciação
da juventude nos segredos da criação
artística. Programa que nos levou a
criar fora do Museu, já na praça,
uma área rebaixada e protegida, onde
as crianças poderão exibir espontaneamente
o talento que nela existe.
Previmos também uma biblioteca para
100.000 volumes, dotada de todos os requisitos
técnicos modernos, tais como computadores,
vídeos, auditórios, salões
de leitura - ao ar livre, inclusive -, enfim,
os ambientes que um prédio dessa natureza
deve possuir.
A casa de espetáculos projetada abrange
salão com 80 metros de diâmetro,
um palco central, arquibancadas soltas no
ambiente, ocupando áreas diferentes,
e o serviço de restaurante a circundam
em sobreloja o grande salão, garantindo
assim ao público, no pavimento térreo,
a independência necessária. As
curvas da cobertura dão ao espaço
interior a amplitude e as diferenças
de nível que desejávamos.
Já o Planetário constitui um
problema tão técnico, tão
limitado por exigências funcionais que
nele a arquitetura modestamente influi. Plasticamente,
a forma esférica era a solução
natural e tão bonita que não
cabia evitá-la.
O programa prevê ainda 15 cinemas, sanitários,
salas de estar, bares, etc, e a isso nos adaptamos,
criando a extensa placa de concreto que completa
e disciplina o conjunto.
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