Portal do Distrito Federal
 

Exibição de Notícia Exibe a versão de impressão da página Retorna para a página anterior


ARTE POR TODA PARTE - 1º Festival de Hip Hop do Cerrado


(14/07/2006 - 17:27)

Dança, música, artes plásticas e convidados internacionais no 1º Festival de Hip Hop do Cerrado, que o Arte Por Toda Parte e a Associação Cultural Claudio Santoro promovem na Torre de TV, no próximo dia 23, a partir das 14h. O Festival reúne grupos de break, grafiteiros, DJs e cantores de rap de cidades satélites do Distrito Federal - São Sebastião, Planaltina, Gama, Ceilândia e Brazlândia - e de São Paulo e Roraima.

O 1º Festival de Hip Hop do Cerrado ocorre paralelo ao Seminário Internacional de Dança de Brasília. O evento terá participação dos coreógrafos e bailarinos americanos Kim Borgaro e Robert Gilliam, especialistas em hip hop, break e jazz.

Quatro grupos de break, sete de rap, nove grafiteiros e um DJ representam Brasília. Também participam do Festival um grafiteiro e um grupo de Rap de Boa Vista (Roraima) e três DJs de São Paulo.

Presença feminina

As mulheres também marcam presença no 1° Festival de Hip Hop do Cerrado. Entre as participantes estão integrantes do grupo de break Bsb Girls e do grupo de rap Atitude Feminina, de São Sebastião, e a cantora Flora Matos, que apresenta rap em “free style” (improvisação de letras).

Saiba mais

O hip hop surgiu nos subúrbios de Nova York no fim dos anos 60 e é hoje um dos movimentos culturais que mais cresce no Brasil. Em Brasília, a cultura hip hop também apresenta expressão crescente. O documentário Rap, o canto da Ceilândia, de Adirley Queirós, faturou os prêmios de melhor filme da mostra competitiva em 35 mm e o do júri popular (eleito pelo público) no 38° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2005. O filme mostra a trajetória de quatro artistas do rap (X, Jamaika, Marquim e Japão) e faz um paralelo com a construção da cidade onde moram.

Tido como maior movimento musical desde o surgimento do rock nos anos 50, o hip hop saiu da periferia para ganhar adeptos em todas as classes sociais. Se, no início dos anos 70, a motivação do rap e do break era defender, na rua, o espaço para a emancipação da cultura hip hop, hoje as manifestações ligadas a esse universo vão muito além das "batalhas" (poesias criadas ao som do rap) ou dos scratches (arte de manipular o vinil) entre os "manos".

Os hip hoppers orgulham-se de trabalhar a auto-estima dos excluídos, recusar os estereótipos que associam periferia e criminalidade, desconstruir preconceitos e afirmar a negritude. As roupas são largas, para facilitar os movimentos da dança, com estampas de números e letras. Gorros coloridos e cabelos que exaltam as raízes negras dão identidade ao visual.

Hip Hop X Funk

Os hip hoppers consideram os funkeiros alienados, criticam suas músicas despreocupadas, suas letras leves e sua postura descompromissada. Eles preferem letras quilométricas, ásperas, diretas, sem meios-tons ou concessões, sem metáforas ou duplos sentidos. O que interessa é o engajamento político e a contundência do discurso. É importante passar uma mensagem. Nada de "um tapinha não dói" ou "me chama de cachorra". Temas como alcoolismo, vingança, malandragem, mãe angustiada e filho problemático são recorrentes.

O hip hop engloba música (rap, de rhythm and poetry, ou ritmo e poesia), artes plásticas (grafite) e dança (break), unidos a mensagens de alto teor político que são transmitidas pelos MCs (master of ceremony, ou mestres de cerimônia), que falam ou declamam versos sobre base instrumental.

Numa tradução literal, hip hop significa movimentar os quadris (to hip, em inglês) e saltar (to hop). O termo foi criado pelo DJ Afrika Bambaataa, em 1968, para designar os encontros de dançarinos de break, DJs e MCs nas ruas do Bronx.

Grafiteiros X Pichadores

Os grafiteiros geralmente se recusam a ser chamados de "pichadores". Usam o spray como forma de limpar a sujeira visual das ruas e expressar suas idéias pela cidade.

Break

O break é um protesto contra a violência. Sua origem está na guerra do Vietnã. Os primeiros breakers, ou b-boys, surgiram nas ruas do Bronx , em Nova York, no fim da década de 60, e protestavam contra a guerra do Vietnã por meio de passos de dança que simulavam os movimentos dos feridos. Cada movimento do break possui como base o reflexo do corpo debilitado dos soldados americanos, ou lembra um objeto utilizado no confronto com os vietnamitas, como o giro de cabeça – movimento em que o dançarino fica com a cabeça no chão, mantém as pernas para cima e gira o corpo, como uma hélice de helicóptero.

Serviço
1º Festival de Hip Hop do Cerrado
Realização da Secretaria de Cultura do DF pelo projeto Arte Por Toda Parte
Domingo, 23 de julho, das 14h às 20h, na Torre de TV
Acesso livre

Informações
Ana Cecília – 3273-3095 / 3343-7089
Rafael – 8111-5932
Assessoria de Imprensa da Secretaria de Cultura- 3325 6206 / 3325 5204