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Museus - Centro Cultural Três Poderes - Museu da Cidade Exibe a versão de impressão da página Retorna para a página anterior


Histórico

Projetado por Oscar Niemeyer, tinha por finalidade preservar para a posteridade os trabalhos que se referissem à história da construção de Brasília.

É o museu mais antigo de Brasília e foi inaugurado às doze horas e trinta minutos do dia 21 de abril de 1960, mesmo dia da inauguração da cidade. Este monumento é um marco histórico da cidade, pois a solenidade de sua inauguração representou a transferência oficial da Capital Federal do Rio de Janeiro para Brasília. Presentes a este ato solene estavam o presidente Juscelino Kubitschek e comitiva que ouviram a "Prece Natalícia de Brasília", lida por seu autor, o poeta Guilherme de Almeida.



O Prédio

Edificado em concreto armado, o monumento apresenta linhas retas e sóbrias. Formado por um bloco longitudinal, que se apóia fora do eixo sobre um cubo, sua característica principal é o fato de exibir frases históricas em suas paredes externas e internas que são revestidas de mármore branco.


No contexto da Praça dos Três Poderes, o museu destaca-se por sua forma plástica e compõe com o Palácio do Planalto, o Panteão da Pátria e o Supremo Tribunal Federal um harmonioso conjunto arquitetônico.

O Museu foi tombado pelo governo do Distrito Federal em 28 de abril de 1982.

 

Na fachada Leste, pode-se apreciar uma escultura da cabeça de JK, que se destaca das linhas retas do conjunto. Ao lado, temos uma frase dedicatória dos pioneiros e dos candangos ao presidente Juscelino. Acima, à direita, a frase escrita pelo Presidente Juscelino Kubitschek em 02 de outubro de 1956, quando aqui esteve pela primeira vez para conhecer o local exato onde seria construída a Nova Capital do Brasil, sintetizando o seu sentimento por Brasília, sua Meta Síntese, e sua confiança no amanhã: “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”.

Na fachada Oeste, o prédio exibe, em sua base, uma cronologia do processo de interiorização da Capital Federal, de 1789 a 1960, destacando algumas datas desta história.

 

No seu interior temos um painel com fotos alusivas à época da construção da cidade, uma vitrine onde fatos marcantes deste período são relembrados em exposições temporárias, no decorrer do ano, e nas paredes 16 textos gravados com informações sobre alguns fatos que fazem parte da história do processo de interiorização da Capital do Brasil, desde meados do séc. XVIII até sua construção e inauguração, além de frases históricas proferidas pelo Papa Pio XII, por Niemeyer e pelo presidente Juscelino alusivas a eventos do período de construção e inauguração. Estes textos se encontram transcritos também em Braille, nos pedestais existentes abaixo das inscrições.



Os Textos


I

Ante o perigo externo e para preservar a integridade da Capitania na unidade do país, João Fernandes Vieira, nos meados do século XVIII, sugere a escolha de duas regiões "As mais longes do mar" para sede dos habitantes de Pernambuco. O Marquês de Pombal, por 1761, pensa em erguer no sertão uma cidade, não apenas Capital da Colônia, mas do Reino, a meio Caminho da África e das Índias, na rota das linhas vitais do seu Comércio. Quando, em 1807, a Família Real emigra para o Brasil, vários Conselhos haviam sido emitidos em favor de semelhante providência.

II


Os Autos da Devassa da Inconfidência Mineira 1789/1792 revelam que "A Capital se havia de mudar para São João Del Rei, por ser aquela vila mais bem situada e farta de mantimentos; e que nesta se havia de abrir estudos, como em Coimbra, em que também se aprendessem leis" - No depoimento do tenente-coronel Domingos de Abreu Vieira, José de Resende Costa Filho, Padre José da Silva de Oliveira Rolim, e outros, que afirmam ser "O malvado alferes" Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, a pessoa de quem teriam ouvido a assertiva.

III


Em notas de 1821, para instruções do Governo Provisório de São Paulo aos deputados às Cortes de Lisboa, José Bonifácio de Andrada e Silva preconiza "Criar uma cidade central no interior do Brasil, para assento da Regência que poderá ser em 15º de latitude, em sítio sadio, ameno, fértil, e junto a algum rio navegável" e "abrir desta caminhos de terra para as diversas províncias e portos de mar", cabendo-lhe a primazia, em 1823, de sugerir o nome Brasília que pela primeira vez ocorrera no ano anterior, em escrito anônimo.

IV


A Francisco Adolfo Varnhagen se deve, a meio século passado, a mais acurada campanha pela interiorização. "Qual é o local mais conveniente para fixar a sede do governo imperial?", pergunta numa de suas memórias. "Cremos haver deixado demonstrada a conveniência da exclusão de todos os portos do mar", responde, acrescentado razões de comunicação, transporte, produção, segurança, clima, assistência e ação civilizadoras - que militam para que fique "A distância igual dos cinco pontos, Rio, Bahia, Cidade de Oeiras, Cuiabá e Curitiba".

V


Em 1822, os deputados brasileiros às Cortes de Lisboa advogam a interiorização da Capital; a Constituição Política do Império do Brasil, de 1824, a possibilita; a Constituição Federal de 1891 acolhe a idéia de transferência da Capital da República para o Planalto Central; a Constituição Federal de 1934 reitera o dispositivo sobre a mudança da Capital para um ponto central do Brasil; a Carta de 1o de novembro de 1937 a torna mera possibilidade, mas a Constituição Federal de 1946 consagra em definitivo a decisão - que aguardaria o executor.

VI


Em sua campanha eleitoral pela presidência da república, Juscelino Kubitschek de Oliveira mantém em cada localidade vivo diálogo com o povo, para ouvir-lhe aspirações e anseios. A 4 de abril de 1955, em Jataí, pequena cidade de Goiás, é inquirido por um popular se é seu propósito construir a nova capital no interior do país. "Cumprirei em toda a sua profundidade a Constituição e as leis. A Constituição consagra a transferência. É necessário que alguém ouse iniciar o empreendimento - e eu o farei", responde o candidato.

VII

A 18 de abril de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek assina em Anápolis a mensagem ao Congresso Nacional em que propõe a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital NOVACAP - "Com a finalidade precípua de promover o planejamento e execução do serviço de localização, urbanização e construção da futura metrópole nacional". E a 19 de setembro do mesmo ano o Congresso Nacional decreta e o Presidente da República sanciona a lei no 2.874, que "dispõe sobre a mudança da capital federal e dá outras providências".

VIII


A 24 de setembro de 1956, o Presidente da República aprova, pelo decreto no 40.017, a constituição da sociedade por ações da Companhia Urbanizadora da Nova Capital nomeando Israel Pinheiro da Silva presidente, Bernardo Saião Carvalho de Araújo, Ernesto Silva e Íris Meinberg diretores. Publicado o edital para o concurso nacional do plano piloto, o júri - integrado pelos arquitetos e urbanistas William Holford, André Sive, Stamo Papadaki, Oscar Niemeyer, Hildebrando Horta Barbosa e Paulo Antunes Ribeiro - declara ...

IX


Vencedor o projeto do arquiteto Lúcio Costa, que antevê a cidade "A um tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional", "concebida não como simples organismo capaz de encher satisfatoriamente sem esforço as funções vitais próprias de uma cidade moderna qualquer, não apenas como URBS, mas como CIVITAS", nascida, "do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz".

X


Três de maio de 1957: "No dia do aniversário da descoberta e da primeira missa nas terras de Santa Cruz, muito nos agrada que tão fausta data seja recordada com a celebração da primeira missa em Brasília. Pedindo a Deus que continue a derramar sobre a generosa nação brasileira os seus celestes favores, para que progrida e prospere à luz do Evangelho e dos ensinamentos da igreja, concedemos de coração a Vossa Excelência, às autoridades presentes, à sugestiva cerimônia e a todo o querido povo brasileiro a nossa especial benção apostólica" . PIVS PP XII.

XI


A 1o de outubro de 1957, do presidente da República, à sanção da lei no 3.273, que fixa o dia 21 de abril de 1960 para a mudança da Capital: Este ato representa o passo mais viril, mais enérgico, que a nação dá após a sua independência política, para a sua plena afirmação, como povo que tomou, a seus ombros uma das mais extraordinárias tarefas que a história viu atribuir-se a uma coletividade: a de povoar e civilizar as terras que conquistou, vastas como um continente; a de integrar, na comunhão dos povos, um dos mais ricos territórios do mundo".

XII


"Brasília representa para todos os que nela colaboramos experiência tão cheia de lutas e ensinamentos que nunca poderá ser esquecida ... lembro com admiração o entusiasmo com que Juscelino Kubitschek conduziu os trabalhos durante três anos, lutando decididamente contra a oposição mais obstinada ... espero que Brasília seja uma cidade de homens felizes; homens que sintam a vida em toda a plenitude, em toda a fragilidade; homens que compreendam o valor das coisas simples e puras - um gesto, uma palavra de afeto e solidariedade". Oscar Niemeyer.

XIII


"Brasília só pode estar aí ... porque a fé em Deus e no Brasil nos sustentou a todos nós ... a vós todos, candangos, a que me orgulho de pertencer. Viestes alguns de Minas Gerais outros dos estados limítrofes, a maioria do Nordeste. Caminhastes de qualquer maneira até aqui ... porque ouvistes, de longe, a mensagem de Brasília; porque vos contaram que uma estrela nova iria acrescentar-se às outras vinte e uma da Bandeira da Pátria. Reconheço e proclamo, neste momento, que sois expressão da força propulsora do Brasil". Juscelino Kubitschek.

XIV


1960 A.D.: "Viramos no dia de hoje uma página da história do Brasil. Prestigiado, desde o primeiro instante, pelas duas casas do Congresso Nacional e amparado pela opinião pública ... damos por cumprido o nosso dever mais ousado, o mais dramático dever". "Neste dia - 21 de abril - consagrado ao alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ao centésimo trigésimo oitavo ano da independência e septuagésimo primeiro da República, declaro, sob a proteção de Deus, inaugurada a cidade de Brasília, capital dos Estados Unidos do Brasil". - Juscelino Kubitschek.

XV


Porque cristalizou em sua sensibilidade e vocação de estadista essa aspiração do povo brasileiro; porque presidiu com ânimo inquebrantável a todos os atos de sua construção; porque acompanhou com espírito alerta e sem fadiga cada passo à frente; porque superou com vigor indomável todas as críticas iconoclastas; porque estimulou com audácia, energia e confiança todos os seus comandados - por tudo isso é erguido este memorial de Brasília, que consagra a sua maior obra - Meta das Metas...

XVI


... A fim de que os brasileiros de hoje e os de amanhã recebam esta herança, e a honrem, e a aprimorem, e a engrandeçam, na perpetuação da cidade do homem dignificado pelo trabalho, pela fraternidade, pela paz. "Brasileiros! daqui, do centro da pátria, levo o meu pensamento a vossos lares e vos dirijo a minha saudação. Explicai a vossos filhos o que está sendo feito agora. É sobretudo para eles que se ergue esta cidade síntese, prenúncio de uma revolução fecunda em prosperidade. Eles é que nos hão de julgar amanhã".



Dados Técnicos

Prédio Cabeça de JK
Hall de escada: 1,50 x 1,00 m Autor : José Alves Pedroza
Salão: 35,00 x 5,00 m Material : pedra-sabão
  Dimensões: 1,30 m (altura)
Peso : 1,5 tonelada

Museu da Cidade

Praça dos Três Poderes - Brasília – DF
CEP – 70.100-000
Telefones: (61) 3325-6163 / 3321-9843 - Tele fax: 3323-3728
E-mail: cc3poderes@sc.df.gov.br
Aberto de segunda a domingo, inclusive feriados, das 09h às 18h.