Portal do Distrito Federal
 

Museus - Centro Cultural Três Poderes - Panteão da Pátria Exibe a versão de impressão da página Retorna para a página anterior


Panteão

Palavra de origem grega (PANTHEON) era, na antiga Roma, uma edificação dedicada a todos os deuses. Na Grécia, também, Panteão era o templo erguido em consagração aos deuses. De estrutura circular e imponente, este tipo de construção influenciou e inspirou arquitetos de vários séculos. Geralmente é iluminado com luz natural ou pouca iluminação, com a finalidade de levar as pessoas a uma atitude respeitosa e de reflexão.




Na Europa, algumas construções com essas características foram erguidas para reverenciar deuses ou heróis da pátria.


Panteão da Pátria Tancredo Neves

Criado para homenagear os heróis nacionais, ou seja, aqueles brasileiros que possuíram ideais de liberdade e democracia, o Panteão consagra, também, a memória de Tiradentes, que além de ser um dos heróis nacionais é o Patrono Cívico da Nação Brasileira.

Construído e doado ao governo do Distrito Federal pela Fundação Bradesco, tem três pavimentos e área total construída de 2.105 m².

Sua edificação lembra o formato de uma pomba e foi inaugurado pelo presidente José Sarney em 07 de setembro de 1986.



Histórico

A idéia de se erguer um monumento para homenagear os heróis nacionais surgiu no Palácio do Planalto, diante do corpo do presidente Tancredo Neves, inspirado nos ideais de liberdade e democracia que, a exemplo dos seus conterrâneos inconfidentes, tão bem soube representar.

A Pedra Fundamental do Panteão da Pátria Tancredo Neves foi lançada pelo presidente da República da França, François Miterrand, durante sua visita a Brasília, em 15 de outubro de 1985.

Quando o arquiteto Oscar Niemeyer, antes do projeto, começou a estudar o Panteão seu maior empenho era que ele se integrasse corretamente na praça, que não fosse tão grande, mas também não muito modesto, tivesse, enfim, a escala de importância exigida de um Panteão. Imaginou um monumento severo, sóbrio e requintado, que causasse surpresa e desejo de ser visto de perto.

Primeiro Pavimento

No primeiro pavimento, ao nível do solo, funciona a parte administrativa do Centro Cultural Três Poderes.


Segundo Pavimento

No segundo pavimento, ao nível da entrada, temos o Salão Vermelho onde está o Mural da Liberdade, do consagrado artista plástico Athos Bulcão.


O Mural da Liberdade, todo laqueado na cor vermelha, mede 13,54 m de comprimento por 2,76 m de altura, totalizando uma área de 37,37 m². A obra é composta de um só módulo repetido 24 vezes, disposto ora isoladamente, ora em grupos de três. A união de três módulos forma um triângulo vermelho, símbolo do movimento da Inconfidência Mineira, como figura central de sua bandeira. A bandeira dos inconfidentes é hoje a bandeira do Estado de Minas Gerais.

Cada módulo tem a espessura de nove cm e a disposição dos módulos no mural foi simétrica e artisticamente planejada pelo autor, de modo que sua estrutura pudesse ser valorizada pelo jogo de luz e sombras.

Athos Bulcão - (1918 - 2008)

Nascido no Rio de Janeiro, em 02 de julho de 1918, era desenhista, pintor, fotógrafo e ilustrador. Faleceu em Brasília no dia 31 de julho de 2008, aos 90 anos. Esse carioca, que quase foi médico, era carinhosamente chamado pelos amigos de “Monsenhor”, graças à sua voz baixa e um certo tom clerical de sua fala. Athos Bulcão viveu em Brasília de 1958 até o seu falecimento em 2008.


Aos 22 anos expõe pela primeira vez no Salão Nacional de Belas Artes. Em 1941, obtém a medalha de prata de desenho e pintura. Estagia no atelier de Portinari, com quem depois vai trabalhar nos murais da igreja da Pampulha em Belo Horizonte.

Artista inquieto fez experiências com fotomontagens e relevos policromados, dedicando-se, a partir da década de 60, a projetos de integração da arte com a arquitetura, destacando e valorizando importantes projetos de Oscar Niemeyer em Brasília, a saber: as paredes externas do Teatro Nacional Cláudio Santoro; a Câmara Mortuária do Presidente Juscelino Kubitschek e uma das paredes do hall de entrada do Memorial JK; o painel do vestíbulo do Palácio do Itamaraty; a fachada da capela do Palácio da Alvorada; os quadros que descrevem a paixão de Jesus na Catedral; no Aeroporto Internacional; na Câmara Legislativa; no Centro Cultural da CNBB; no Cine Brasília; no Clube do Congresso; no Hall do Congresso Nacional; na Igrejinha; no Mercado das Flores; no Palácio Jaburu; no Palácio do Planalto; no Parque da Cidade; no Salão Verde da Câmara dos Deputados; no Supremo Tribunal Federal; na Torre de TV; e em várias quadras e apartamentos da cidade. No exterior, executou projetos para a sede da Editora Mondadori, em Milão, para a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e também na Argélia.


Terceiro Pavimento

Ao final da escada negra que liga o segundo ao terceiro pavimento depara-se com o Salão Principal, um ambiente sóbrio e indefinido, também na cor negra, que transmite a sensação de grande espaço cósmico descoberto, de noite escura e silenciosa.

Neste salão encontram-se: de um lado, o grande Painel da Inconfidência Mineira; do lado oposto, o Vitral de Marianne Peretti; e, ao centro, o Livro de Aço dos Heróis Nacionais.


Painel da Inconfidência Mineira


Vitral de Marianne Peretti


Livro de Aço dos Heróis Nacionais

O Vitral de Marianne Peretti

Marianne Peretti fez um vitral que lembra a forma estilizada do mapa do Brasil ou a estrutura de uma árvore, dependendo da forma como a obra é vista. A obra é toda laqueada na cor branca com superfície de 180 m² e, na sua confecção, foram gastas 16 toneladas de ferro. Os vitrais, nas cores roxo, vermelho e branco, simbolizam o recolhimento, a paixão e a paz.

Do lado de fora, na fachada externa norte, ao pé do vitral, tem uma escultura de ferro laqueada na cor branca, também de sua autoria. A forma de pássaro da escultura, assemelhando-se a uma pomba, simboliza a liberdade.


A Pomba

 

 

Marianne Peretti - (1927)

Artista nascida em Paris, de mãe francesa e pai pernambucano, foi registrada no Consulado Brasileiro.

Viveu naquela cidade no meio de escritores e artistas, onde estudou desenho e pintura na Ecole des Arts Décorratifs e na Academie de La Grande Chaumiére, em Montparnasse, tendo sido discípula de Goerg e de Desnoyer. Ilustrou livros e revistas e, ainda em Paris, fez sua primeira exposição individual na Gallerie Mirador. Viajou pela Europa e veio morar no Brasil em 1953, onde passa a desenhar e pintar paisagens do Ceará, e aspectos variados do Recife e da Bahia. Participou de várias Bienais em São Paulo, obtendo o prêmio de melhor capa de livro com “As Palavras”, de Sartre. Realizou várias exposições, individuais e coletivas, em Paris, São Paulo, Olinda e outras cidades. Assina várias esculturas, vitrais e relevos nos grandes centros brasileiros – Rio de Janeiro, São Paulo, Teresina, e Recife. Depois da encomenda de um desenho para vitral que lhe faz a arquiteta Janete Costa, passa a dedicar-se a essa arte e a pedido de Oscar Niemeyer realiza enormes vitrais e painéis de vidro para o Panteão da Pátria, Catedral de Brasília, Superior Tribunal de Justiça, Câmara dos Deputados onde tem duas obras: a peça Araguaia, em vidro trabalhado com sobreposição, que se encontra no Salão Verde, e um Vitral no Salão Nobre, Senado Federal, Palácio do Jaburu, Memorial JK, e uma grande escultura de bronze dourado, denominada “O Pássaro”, para o Teatro Nacional. Muitas outras obras integram sua intensa produção artística, inclusive no exterior, como, por exemplo, no Centro Cultural do Havre e na sede da Editora Mondadori, em Milão.

O Livro de Aço

Ao centro do grande Salão Principal, encontra-se o Livro de Aço dos Heróis Nacionais, que acolhe em cada página o nome de um herói brasileiro. A denominação de herói nacional se dá por ato do Congresso Nacional, observando-se um período mínimo de cinqüenta anos após a morte do homenageado.

Atualmente são dez os brasileiros homenageados como heróis nacionais: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, líder e mártir do movimento da Inconfidência Mineira; Marechal Deodoro da Fonseca, responsável pela Proclamação da República; Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares que, no século dezessete, lutou e deu a sua vida pelo ideal de liberdade dos escravos no Brasil; D. Pedro I, que proclamou a nossa Independência; Duque de Caxias, patrono do Exército brasileiro; José Plácido de Castro, que lutou pela anexação do território do Acre ao território brasileiro; Almirante Tamandaré, patrono da Marinha brasileira; Almirante Barroso, que comandou a força naval brasileira na Batalha do Riachuelo; Alberto Santos Dumont, o “Pai da Aviação” e patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira; e, José Bonifácio de Andrada e Silva cognominado o "Patriarca da Independência" pelo seu trabalho no processo de nossa independência, do qual foi o grande arquiteto.


Biografia dos Heróis Nacionais

JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER – O TIRADENTES – (1746-1792)

Foi o primeiro herói a ter o nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria, com inscrição em 21 de abril de 1992, por ocasião do bicentenário de sua execução.


Nasceu na Fazenda do Pombal, entre São José (hoje Tiradentes) e São João Del Rei, Minas Gerais. Tiradentes foi mascate, pesquisou minerais, foi dentista prático. Sobre sua vida militar, sabe-se que pertenceu ao Regimento de Dragões de Minas Gerais. Ficou no posto de alferes, comandando uma patrulha de ronda do mato, prendendo ladrões e assassinos.

Em 1789, Tiradentes participou de um movimento contra os pesados impostos cobrados pela coroa portuguesa preparado por militares, escritores de renome, poetas famosos, magistrados e sacerdotes. Em março desse mesmo ano, Joaquim Silvério dos Reis que devia elevada soma à Fazenda Real e pensava, com a traição, furtar-se ao pagamento, delatou a trama ao governador de Minas Gerais, Visconde de Barbacena.

Os inconfidentes foram condenados a morte, porém, numa nova decisão, baseada em carta de clemência, essas condenações, exceto a de Tiradentes, foram comutadas em desterro perpétuo na África.

Tiradentes foi enforcado em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado, sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, arrasaram a casa em que morava, salgaram o terreno para que não frutificasse, e declararam infames os seus descendentes.



ZUMBI DOS PALMARES - (1655-1695)

Recebeu sua inscrição como herói nacional, no Livro dos Heróis da Pátria, em 21 de março de 1997.


Batizado com o nome de Francisco, Zumbi foi entregue ao Padre Antônio Melo com quem viveu até os 15 anos quando fugiu para Palmares, quilombo entre o estado de Pernambuco e Alagoas, onde se reuniam os escravos fugidos. Lá ele se fez líder graças à sua coragem, capacidade de organização e comando. Foi derrotado e morto no ataque inimigo de 20 de novembro de 1695. Zumbi tornou-se símbolo da luta dos negros por dignidade e igualdade.



MARECHAL DEODORO DA FONSECA - (1827-1892)

Seu nome foi inserido no Livro dos Heróis da Pátria em 15 de novembro de 1997. Deodoro da Fonseca ingressa no Exército aos 18 anos, na Arma de Artilharia.


Combate na Rebelião Praiera, luta na Guerra do Paraguai, lidera a facção do Exército favorável à abolição da escravatura e é nomeado Comandante das Armas da Província de Mato Grosso. Em 1889, Deodoro abandona o comando e retorna ao Rio de Janeiro. Em 15 de novembro daquele ano, em um movimento político-militar que acaba com a Monarquia, o marechal alagoano, Manuel Deodoro da Fonseca proclama a República.



D. PEDRO I - (1798-1834)

Seu nome é inserido no Livro dos Heróis da Pátria, com inscrição feita em 5 de setembro de 1999.


D. Pedro nasce em Lisboa, filho de D. João e D. Carlota Joaquina, chega ao Rio de Janeiro em 1808 com a família real. Com o retorno da família para Portugal em 1821, torna-se príncipe regente do Reino do Brasil. Em janeiro de 1822, D. Pedro anuncia sua decisão de permanecer no país, e em 7 de setembro proclama a independência do Brasil. No mesmo ano é aclamado Imperador e coroado com o título de D. Pedro I.

DUQUE DE CAXIAS - (1803-1880)

Marechal Luís Alves de Lima e Silva tem o seu nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria, com inscrição feita em 28 de janeiro de 2003.


Luís Alves nasce em 25 de agosto no Rio de Janeiro. Em 1821 já era tenente a serviço do Batalhão do Imperador. Participa dos movimentos para a independência, pacificando várias províncias rebeldes.

Nomeado Comandante-em-chefe das forças do Império em operações contra o Paraguai, conclui sua jornada com a tomada de Assunção em 1869. Em 1870, é elevado a Duque, sendo o único com esse título no país. Morre em 07 de maio de 1880, na Fazenda Santa Mônica, em Vassouras, estado do Rio de Janeiro. Em 1962 é instituído “Patrono do Exército Brasileiro”.

PLÁCIDO DE CASTRO - (1873-1908)

José Plácido de Castro tem o seu nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria em 17 de novembro de 2004.


Militar, nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de São Gabriel. Em 1899 foi para o Acre, e, como o governo brasileiro reconhece a soberania da Bolívia sobre a região, lidera os brasileiros instalados no território para expulsar os bolivianos. Derrotados estes, em 1903 proclamou-se a autonomia do Acre, obrigando as forças bolivianas à capitulação. Castro assumiu a chefia do governo provisório.

ALMIRANTE TAMANDARÉ - (1807-1897)

Joaquim Marques Lisboa, tem o seu nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria em 13 de dezembro de 2004. Nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Rio Grande, tomou parte na campanha da independência participando em vários momentos da repressão aos revolucionários, participou da Confederação do Equador, da Campanha Cisplatina e na Guerra do Paraguai foi combatente determinado.


Tamandaré entrou para a Marinha com 15 anos, exerceu elevados cargos, fazendo com que sua bravura nas batalhas que participou assinalasse grandes momentos na História da Pátria. É Patrono da Marinha Brasileira e na data de seu nascimento, 13 de dezembro, comemora-se o Dia do Marinheiro.


ALMIRANTE BARROSO - (1804-1882)

Francisco Manoel Barroso da Silva tem o seu nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria em 11 de junho de 2005. Nascido em Lisboa, Portugal, veio para o Brasil em 1808 junto com a Comitiva da Família Real portuguesa.


Em 1821 ingressou na Academia de Marinha no Rio de Janeiro. Participou de combates na Guerra da Cisplatina, em operações contra a Cabanagem, na Província do Pará, e comandou a Força Naval Brasileira na Batalha Naval do Riachuelo.

Ocupou diversos cargos de relevância na Marinha brasileira sendo reformado em 1873 no Posto de Almirante.

ALBERTO SANTOS DUMONT – (1873-1932)

Marechal-do-Ar Alberto Santos Dumont teve o seu nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria em 26 de julho de 2006, em comemoração ao ano do Centenário do Vôo do 14-bis, realizado em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, na presença de uma comissão oficial, de centenas de pessoas e de uma câmara cinematográfica que registrou este fato histórico.


Assim, exatamente às 16 horas e 45 minutos daquele dia, num momento que ficou conhecido como “um minuto memorável na história da navegação aérea”, o homem conseguiu, pela primeira vez no mundo, voar em um aparelho mais pesado que o ar, que se elevou do solo sem qualquer ajuda externa.

Santos Dumont nasceu em Minas Gerais no dia 20 de julho de 1873, na fazenda Cabangu, paróquia de Palmira. A sua cidade natal hoje tem o seu nome, Santos Dumont.

Feito patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira, Santos Dumont passou a figurar permanentemente no quadro de oficiais-aviadores da Aeronáutica militar brasileira, com o posto de tenente-brigadeiro, pela lei 165, de 05 de dezembro de 1947. A lei 3.636, de 22 de setembro de 1959, atribuiu-lhe o posto honorífico de marechal-do-ar.
Faleceu em 23 de julho de 1932, no Guarujá, estado de São Paulo.

 

JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA – (1763- 1838)

Cognominado o Patriarca da Independência, nasceu no dia 13 de junho de 1763, na cidade de Santos, estado de São Paulo.

Seu nome foi inserido no Livro dos Heróis da Pátria, em 21 de abril de 2007, dentre as comemorações do quadragésimo sétimo aniversário de Brasília.

Em Coimbra formou-se em Ciências Naturais e Direito, e graças aos seus grandes conhecimentos foi convidado a entrar para a Academia de Ciências de Lisboa.

Durante dez anos viajou pela Europa, aprofundando os seus conhecimentos, retornando a Portugal em 1800 quando recebeu as honras de desembargador e o título de doutor em Filosofia, sendo nomeado professor de Geognosia e Metalurgia em Coimbra.

Em 1819 retorna ao Brasil, iniciando uma fecunda carreira de homem público. Sua grande capacidade e seus dotes políticos tornaram-no, junto a D. Pedro I, o principal articulador da nossa Independência. O grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, foi, na verdade, o arremate do processo de emancipação, do qual José Bonifácio foi o grande arquiteto.

Era considerado o mais culto brasileiro do seu tempo.

Em 1831, D. Pedro I, ao abdicar da Coroa, indicou-o para tutor de seu filho, o herdeiro do trono e de suas irmãs.

Nos últimos dias de sua vida mudou-se para a atual cidade de Niterói, aonde veio a falecer em 6 de abril de 1838.


O Painel da Inconfidência Mineira

Obra executada pelo pintor João Câmara Filho que, em julho de 1985, foi convidado por Oscar Niemeyer e pelo então Governador do Distrito Federal José Aparecido de Oliveira, para realizar o painel, cujo tema está centrado na Inconfidência Mineira.

A escolha do tema levou em conta o sentimento unânime de que o espírito da Inconfidência Mineira foi o precursor da idéia de nação livre e soberana.

O Mural da Inconfidência é composto por sete quadros e é a primeira obra do artista em Brasília. A pintura propriamente dita foi concluída em 30 de março de 1986, e foi executada em tinta acrílica nas cores preto e branco, sobre tela esticada em chassi de alumínio. Possui 84 m² de área, sendo 21 m de comprimento por 4 m de altura; cada quadro possui 3 m de largura por 4 m de altura.

Cada um dos quadros tem título e história próprios, dentro de um contexto geral, que simboliza uma das páginas mais ricas da história do Brasil.

1º PAINEL - O SACRIFÍCIO DA INDÚSTRIA NACIONAL

Representa a queima dos teares e o sacrifício alegórico da jovem indústria nacional, enquanto reluz vivo e brilhante, entre as chamas, o triângulo da Inconfidência Mineira. O Painel denuncia a oposição imposta por Portugal e pela Inglaterra ao movimento fabril e mercantil brasileiro, no final do século XVIII.

2º PAINEL - REUNIÃO DOS INCONFIDENTES

Mostra uma das incontáveis reuniões dos inconfidentes. A cena se passa num sótão, mantendo-se as características do ambiente e do vestuário da época. Como não existe nenhuma representação dos inconfidentes através de imagem, o artista tomou por modelo seus amigos mais íntimos, observando a idade dos personagens representados. O inconfidente sentado com os pés sobre os livros seria Tiradentes, só que aí o pintor se auto retrata como se Tiradentes fosse. É o artista se imortalizando na própria obra.

3º PAINEL - PREGAÇÃO DE TIRADENTES

No terceiro painel nós temos Tiradentes pregando seus ideais de liberdade. A cena nos retrata Tiradentes vestindo sua farda de alferes do século XVIII tendo ao fundo uma mina do século XX, a mina de Serra Pelada, indicando, assim, a sua movimentação atemporal dentro do espírito de liberdade. A intenção do painel está na perenidade da mensagem símbolo da pregação de Tiradentes. A movimentação física de sua pregação está representada pela superposição das patas do cavalo. A cobra aos pés do cavalo representa a traição ao movimento da Inconfidência.

4º PAINEL - A MORTE DE CLÁUDIO MANOEL DA COSTA

No quarto painel uma homenagem ao poeta Cláudio Manuel, um dos inconfidentes. Estando preso com os outros inconfidentes, numa certa manhã o seu corpo é encontrado morto por enforcamento. Os portugueses diziam que ele se suicidou, os brasileiros da época que ele foi assassinado. Apesar das muitas pesquisas, não se sabe até os dias de hoje o que realmente aconteceu.

5º PAINEL - A FARSA DO JULGAMENTO

No quinto painel nós temos a farsa do julgamento dos inconfidentes. Concebida como um teatro grotesco, esta cena põe em jogo as cartas marcadas da sentença que lhes foi dada, pois, ao serem julgados pela Corte, já estavam previamente condenados por determinação da Rainha de Portugal D. Maria. Os tipos históricos foram representados como efígies, pois aí, praticamente, fala-se o idioma-clichê da história oficial.

6º PAINEL - O ENFORCAMENTO DE TIRADENTES

Neste quadro aparecem em cena: o Mártir, o carrasco e o religioso. Simbolicamente, o autor tenta marcar o limite entre o realismo e o imaginário. O público é reduzido à sombra que aparece no fundo.

7º PAINEL - O CORPO

O corpo de Tiradentes, embora esquartejado, é recomposto numa crucificação, tendo como pano de fundo a cidade de Vila Rica, hoje, Outro Preto, onde todos os fatos aconteceram.

O aspecto comum em toda a obra é o triângulo, símbolo do movimento da Inconfidência Mineira e a lamparina que, ora acesa, ora apagada, faz uma referência à luz, luz de liberdade.

João Câmara Filho - (1944)

Nasceu aos 12 de janeiro de 1944 em João Pessoa, capital do Estado da Paraíba.


Estudou pintura no curso livre da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco, entre 1960 e 1963. Neste ano é eleito presidente da Sociedade de Arte Moderna do Recife e cursa xilogravura, sob orientação de Henrique Oswald e Emanoel Araújo, na Escola de Belas Artes de Salvador.

Em 1964, funda com Adão Pinheiro, José Tavares e Guita Charifker o ateliê Coletivo da Ribeira e, em 1965, o Ateliê +Dez, ambos em Olinda.

Entre 1964 e 1968, cursa psicologia na Universidade Católica de Pernambuco. Entre 1967 e 1970, leciona pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Paraíba. Em 1974, monta um ateliê de litografia, transformado depois na Oficina Guaianases de Gravura, hoje instalada no Mercado da Ribeira, em Olinda, e incorporada à Universidade Federal de Pernambuco.

Em 1980, funda a Associação dos Artistas Plásticos de Pernambuco e, em 1987, assume o cargo de assessor da Secretaria de Estado da Cultura, Esportes e Turismo do mesmo estado. Em 1991, recebe o Diploma Lula Cardoso Ayres, do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, pela atuação no campo das artes plásticas.

Desde 1994 é membro do Conselho Nacional de Política Cultural.

Em 1995, recebe Grau de Comendador da Ordem do Rio Branco.

Atualmente mora e tem ateliê montado em Olinda-PE. Possui um extenso currículo que o credencia como um dos principais artistas plásticos de nossa época, com reconhecimento nacional e internacional, sendo premiado diversas vezes no Brasil e no exterior.


A Inconfidência Mineira

A Revolução Francesa e a Revolução da Independência dos EUA tiveram profunda influência no Brasil. Estes dois movimentos históricos, expressão das crises do absolutismo e do sistema colonial, respectivamente, estimularam, fortemente, as aspirações autonomistas e liberais dos brasileiros.

O domínio da metrópole, caracterizado pelas injustiças e despotismos, passou a ser abertamente contestado. As idéias dos filósofos do iluminismo (princípios franceses) e as leis da América independente forneceram o arsenal doutrinário aos grupos nacionais ansiosos pela liberdade.

Em Minas Gerais criavam-se as condições mais favoráveis ao impulso de libertação, pois era a Capitania que mais duramente experimentava a espoliação de suas riquezas, pela metrópole.

O alvará de cinco de janeiro de 1785, que fechava as manufaturas de tecidos finos na Colônia, determinando a destruição dos teares, a proibição na Capitania do uso de estradas do interior para o litoral, a fim de barrar o contrabando de ouro em atraso, que representava pesadíssimo encargo, fizeram aumentar a insatisfação.

Com a reunião de estudantes recém-vindos da Europa, com idéias libertárias, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, os poetas Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa e Inácio José de Alvarenga Peixoto, o padre Carlos Toledo e tantos outros, tomou corpo a idéia do movimento emancipador.

Nas reuniões dos conspiradores tratavam-se de idéias e projetos. Alvarenga Peixoto sugeriu, como lema para a nova bandeira, o verso de Virgílio "Libertas Quae Sera Tamem" (liberdade ainda que tardia) e o alferes propôs que nela constasse um triângulo representando a Santíssima Trindade, talvez também referência à simbologia maçônica. Pretendia-se o estabelecimento de uma república independente em Minas, com possível adesão de outras Capitanias.


Mas o movimento, ao estender-se, permitiu a infiltração de elementos inseguros. O coronel Joaquim Silvério dos Reis, português que devia elevada soma a Fazendo Real e pensava, com a traição, furtar-se ao pagamento, delatou a trama ao Visconde de Barbacena. O governador mandou imediatamente sustar o lançamento da derrama, retirando, assim, com habilidade, o motivo imediato da revolta. Tiradentes foi preso no dia 10 de maio de 1789, na casa de um ourives, e, a seguir, foram os demais implicados postos a ferros e incomunicáveis.

Cláudio Manoel da Costa morreu na prisão. Os demais "réus" foram todos enviados ao Rio. Numa primeira sentença, por ordem da Rainha de Portugal D. Maria, todos os inconfidentes foram condenados à morte, porém, numa nova decisão, baseada em carta de clemência da mesma, essas condenações, exceto a de Tiradentes, foram comutadas em desterro perpétuo na África.


Tancredo Neves - (1910-1985)

No dia 21 de abril de 1985, quando a Nação lembrava o enforcamento do Mártir da Independência - "O Tiradentes", a notícia do falecimento de outro brasileiro ilustre era anunciada: "Morre, às vésperas da posse, o presidente da República, Tancredo de Almeida Neves".

A partir de então, o País acalenta as lembranças do político que possuiu o mais formidável currículo que um homem público poderia ter: vereador, deputado federal, ministro da Justiça, primeiro-ministro, senador, governador e presidente da República.

O Articulador da Nova República, como passou a ser chamado, era um mestre na arte da conciliação.

Tancredo é lembrado como hábil negociador da transição do regime de exceção, em vigor a mais de 20 anos no País, para um sistema livre e democrático. Homem com trânsito e confiabilidade das correntes divergentes politicamente, coube a ele ser o costureiro das sutilezas, evitar os revanchismos, inibir os excessos de ambos os lados, afastar as radicalizações para congregar estas forças e convencer os seus representantes a permanecerem unidos na votação do, até então em vigor, Colégio Eleitoral, para a vitória final. Esta hábil articulação foi, sem dúvida, a parte mais brilhante da sua vida política.

Tancredo Neves foi um marco na solidificação das instituições da democracia brasileira, e o Panteão da Pátria, com seu nome, procura manter viva a chama dos ideais da liberdade.

Nascido em São João Del Rei, no dia 04 de março de 1910, Tancredo participou ativamente da política nacional durante quase 50 anos, dos quais 22 deles vividos em Brasília.


Panteão da Pátria Tancredo Neves

Praça dos Três Poderes
Brasília – DF
CEP – 70.100-000
Telefones: (61) 3325-6244 - Tele fax: 3323-3728
E-mail: cc3poderes@sc.df.gov.br
Aberto de segunda a domingo, inclusive feriados, das 09h às 18h.