Panteão
Palavra de origem grega (PANTHEON) era, na antiga
Roma, uma edificação dedicada a
todos os deuses. Na Grécia, também,
Panteão era o templo erguido em consagração
aos deuses. De estrutura circular e imponente,
este tipo de construção influenciou
e inspirou arquitetos de vários séculos.
Geralmente é iluminado com luz natural
ou pouca iluminação, com a finalidade
de levar as pessoas a uma atitude respeitosa e
de reflexão.
Na Europa, algumas construções com
essas características foram erguidas para
reverenciar deuses ou heróis da pátria.
Panteão da Pátria
Tancredo Neves
Criado para homenagear os heróis nacionais,
ou seja, aqueles brasileiros que possuíram
ideais de liberdade e democracia, o Panteão
consagra, também, a memória de
Tiradentes, que além de ser um dos heróis
nacionais é o Patrono Cívico da
Nação Brasileira.
Construído e doado ao governo do Distrito
Federal pela Fundação Bradesco,
tem três pavimentos e área total
construída de 2.105 m².
Sua edificação lembra o formato
de uma pomba e foi inaugurado pelo presidente
José Sarney em 07 de setembro de 1986.
Histórico
A idéia de se erguer um monumento para
homenagear os heróis nacionais surgiu no
Palácio do Planalto, diante do corpo do
presidente Tancredo Neves, inspirado nos ideais
de liberdade e democracia que, a exemplo dos seus
conterrâneos inconfidentes, tão bem
soube representar.
A Pedra Fundamental do Panteão da Pátria
Tancredo Neves foi lançada pelo presidente
da República da França, François
Miterrand, durante sua visita a Brasília,
em 15 de outubro de 1985.
Quando o arquiteto Oscar Niemeyer, antes do projeto,
começou a estudar o Panteão seu
maior empenho era que ele se integrasse corretamente
na praça, que não fosse tão
grande, mas também não muito modesto,
tivesse, enfim, a escala de importância
exigida de um Panteão. Imaginou um monumento
severo, sóbrio e requintado, que causasse
surpresa e desejo de ser visto de perto.
Primeiro Pavimento
No primeiro pavimento, ao nível do solo,
funciona a parte administrativa do Centro Cultural
Três Poderes.
Segundo Pavimento
No segundo pavimento, ao nível da entrada,
temos o Salão Vermelho onde está
o Mural da Liberdade, do consagrado artista
plástico Athos Bulcão.
O Mural da Liberdade, todo laqueado na cor vermelha,
mede 13,54 m de comprimento por 2,76 m de altura,
totalizando uma área de 37,37 m².
A obra é composta de um só módulo
repetido 24 vezes, disposto ora isoladamente,
ora em grupos de três. A união
de três módulos forma um triângulo
vermelho, símbolo do movimento da Inconfidência
Mineira, como figura central de sua bandeira.
A bandeira dos inconfidentes é hoje a
bandeira do Estado de Minas Gerais.
Cada módulo tem a espessura de nove cm
e a disposição dos módulos
no mural foi simétrica e artisticamente
planejada pelo autor, de modo que sua estrutura
pudesse ser valorizada pelo jogo de luz e sombras.
Athos Bulcão -
(1918 - 2008)
Nascido no Rio de Janeiro, em 02 de julho de 1918,
era desenhista, pintor, fotógrafo
e ilustrador. Faleceu em Brasília no dia 31 de julho de 2008, aos 90 anos. Esse carioca, que quase foi médico,
era carinhosamente chamado pelos amigos
de “Monsenhor”, graças à
sua voz baixa e um certo tom clerical de sua
fala. Athos Bulcão viveu em Brasília
de 1958 até o seu falecimento em 2008.
Aos 22 anos expõe pela primeira vez no
Salão Nacional de Belas Artes. Em 1941,
obtém a medalha de prata de desenho e
pintura. Estagia no atelier de Portinari, com
quem depois vai trabalhar nos murais da igreja
da Pampulha em Belo Horizonte.
Artista inquieto fez experiências com
fotomontagens e relevos policromados, dedicando-se,
a partir da década de 60, a projetos
de integração da arte com a arquitetura,
destacando e valorizando importantes projetos
de Oscar Niemeyer em Brasília, a saber:
as paredes externas do Teatro Nacional Cláudio
Santoro; a Câmara Mortuária do
Presidente Juscelino Kubitschek e uma das paredes
do hall de entrada do Memorial JK; o painel
do vestíbulo do Palácio do Itamaraty;
a fachada da capela do Palácio da Alvorada;
os quadros que descrevem a paixão de
Jesus na Catedral; no Aeroporto Internacional;
na Câmara Legislativa; no Centro Cultural
da CNBB; no Cine Brasília; no Clube do
Congresso; no Hall do Congresso Nacional; na
Igrejinha; no Mercado das Flores; no Palácio
Jaburu; no Palácio do Planalto; no Parque
da Cidade; no Salão Verde da Câmara
dos Deputados; no Supremo Tribunal Federal;
na Torre de TV; e em várias quadras e
apartamentos da cidade. No exterior, executou
projetos para a sede da Editora Mondadori, em
Milão, para a sede do Partido Comunista
Francês, em Paris, e também na
Argélia.
Terceiro Pavimento
Ao final da escada negra que liga o segundo
ao terceiro pavimento depara-se com o Salão
Principal, um ambiente sóbrio e indefinido,
também na cor negra, que transmite a
sensação de grande espaço
cósmico descoberto, de noite escura e
silenciosa.
Neste salão encontram-se: de um lado,
o grande Painel da Inconfidência Mineira;
do lado oposto, o Vitral de Marianne Peretti;
e, ao centro, o Livro de Aço dos Heróis
Nacionais.

Painel da Inconfidência Mineira
|

Vitral de Marianne Peretti |

Livro de Aço dos Heróis
Nacionais |
O Vitral de Marianne Peretti
Marianne Peretti fez um vitral que lembra a
forma estilizada do mapa do Brasil ou a estrutura
de uma árvore, dependendo da forma como
a obra é vista. A obra é toda
laqueada na cor branca com superfície
de 180 m² e, na sua confecção,
foram gastas 16 toneladas de ferro. Os vitrais,
nas cores roxo, vermelho e branco, simbolizam
o recolhimento, a paixão e a paz.
Do lado de fora, na fachada externa norte, ao
pé do vitral, tem uma escultura de ferro
laqueada na cor branca, também de sua
autoria. A forma de pássaro da escultura,
assemelhando-se a uma pomba, simboliza a liberdade.

A Pomba |
Marianne Peretti - (1927)
Artista nascida em Paris, de mãe francesa
e pai pernambucano, foi registrada no Consulado
Brasileiro.
Viveu naquela cidade no meio de
escritores e artistas, onde estudou desenho
e pintura na Ecole des Arts Décorratifs
e na Academie de La Grande Chaumiére,
em Montparnasse, tendo sido discípula
de Goerg e de Desnoyer. Ilustrou livros e revistas
e, ainda em Paris, fez sua primeira exposição
individual na Gallerie Mirador. Viajou pela
Europa e veio morar no Brasil em 1953, onde
passa a desenhar e pintar paisagens do Ceará,
e aspectos variados do Recife e da Bahia. Participou
de várias Bienais em São Paulo,
obtendo o prêmio de melhor capa de livro
com “As Palavras”, de Sartre. Realizou
várias exposições, individuais
e coletivas, em Paris, São Paulo, Olinda
e outras cidades. Assina várias esculturas,
vitrais e relevos nos grandes centros brasileiros
– Rio de Janeiro, São Paulo, Teresina,
e Recife. Depois da encomenda de um desenho
para vitral que lhe faz a arquiteta Janete Costa,
passa a dedicar-se a essa arte e a pedido de
Oscar Niemeyer realiza enormes vitrais e painéis
de vidro para o Panteão da Pátria,
Catedral de Brasília, Superior Tribunal
de Justiça, Câmara dos Deputados
onde tem duas obras: a peça Araguaia,
em vidro trabalhado com sobreposição,
que se encontra no Salão Verde, e um
Vitral no Salão Nobre, Senado Federal,
Palácio do Jaburu, Memorial JK, e uma
grande escultura de bronze dourado, denominada
“O Pássaro”, para o Teatro
Nacional. Muitas outras obras integram sua intensa
produção artística, inclusive
no exterior, como, por exemplo, no Centro Cultural
do Havre e na sede da Editora Mondadori, em
Milão.
O Livro de Aço
Ao centro do grande Salão Principal,
encontra-se o Livro de Aço dos Heróis
Nacionais, que acolhe em cada página
o nome de um herói brasileiro. A denominação
de herói nacional se dá por ato
do Congresso Nacional, observando-se um período
mínimo de cinqüenta anos após
a morte do homenageado.
Atualmente são dez os brasileiros homenageados
como heróis nacionais: Joaquim José
da Silva Xavier, o Tiradentes, líder
e mártir do movimento da Inconfidência
Mineira; Marechal Deodoro da Fonseca, responsável
pela Proclamação da República;
Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo
dos Palmares que, no século dezessete,
lutou e deu a sua vida pelo ideal de liberdade
dos escravos no Brasil; D. Pedro I, que proclamou
a nossa Independência; Duque de Caxias,
patrono do Exército brasileiro; José
Plácido de Castro, que lutou pela anexação
do território do Acre ao território
brasileiro; Almirante Tamandaré, patrono
da Marinha brasileira; Almirante Barroso, que
comandou a força naval brasileira na
Batalha do Riachuelo; Alberto Santos Dumont,
o “Pai da Aviação” e patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira; e, José Bonifácio de Andrada e Silva cognominado o "Patriarca da Independência" pelo seu trabalho no processo de nossa independência, do qual foi o grande arquiteto.
Biografia dos Heróis
Nacionais
JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER
– O TIRADENTES – (1746-1792)
Foi o primeiro herói a ter o nome inserido
no Livro dos Heróis da Pátria,
com inscrição em 21 de abril de
1992, por ocasião do bicentenário
de sua execução.
Nasceu na Fazenda do Pombal, entre São
José (hoje Tiradentes) e São João
Del Rei, Minas Gerais. Tiradentes foi mascate,
pesquisou minerais, foi dentista prático.
Sobre sua vida militar, sabe-se que pertenceu
ao Regimento de Dragões de Minas Gerais.
Ficou no posto de alferes, comandando uma patrulha
de ronda do mato, prendendo ladrões e
assassinos.
Em 1789, Tiradentes participou de um movimento
contra os pesados impostos cobrados pela coroa
portuguesa preparado por militares, escritores
de renome, poetas famosos, magistrados e sacerdotes.
Em março desse mesmo ano, Joaquim Silvério
dos Reis que devia elevada soma à Fazenda
Real e pensava, com a traição,
furtar-se ao pagamento, delatou a trama ao governador
de Minas Gerais, Visconde de Barbacena.
Os inconfidentes foram condenados a morte, porém,
numa nova decisão, baseada em carta de
clemência, essas condenações,
exceto a de Tiradentes, foram comutadas em desterro
perpétuo na África.
Tiradentes foi enforcado em 21 de abril de 1792,
no Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado,
sua cabeça foi erguida em um poste em
Vila Rica, arrasaram a casa em que morava, salgaram
o terreno para que não frutificasse,
e declararam infames os seus descendentes.
ZUMBI DOS PALMARES - (1655-1695)
Recebeu sua inscrição como herói
nacional, no Livro dos Heróis da Pátria,
em 21 de março de 1997.
Batizado com o nome de Francisco, Zumbi foi
entregue ao Padre Antônio Melo com quem
viveu até os 15 anos quando fugiu para
Palmares, quilombo entre o estado de Pernambuco
e Alagoas, onde se reuniam os escravos fugidos.
Lá ele se fez líder graças
à sua coragem, capacidade de organização
e comando. Foi derrotado e morto no ataque inimigo
de 20 de novembro de 1695. Zumbi tornou-se símbolo
da luta dos negros por dignidade e igualdade.
MARECHAL DEODORO DA FONSECA - (1827-1892)
Seu nome foi inserido no Livro dos Heróis
da Pátria em 15 de novembro de 1997.
Deodoro da Fonseca ingressa no Exército
aos 18 anos, na Arma de Artilharia.
Combate na Rebelião Praiera, luta na
Guerra do Paraguai, lidera a facção
do Exército favorável à
abolição da escravatura e é
nomeado Comandante das Armas da Província
de Mato Grosso. Em 1889, Deodoro abandona o
comando e retorna ao Rio de Janeiro. Em 15 de
novembro daquele ano, em um movimento político-militar
que acaba com a Monarquia, o marechal alagoano,
Manuel Deodoro da Fonseca proclama a República.
D. PEDRO I - (1798-1834)
Seu nome é inserido no Livro dos Heróis
da Pátria, com inscrição
feita em 5 de setembro de 1999.
D. Pedro nasce em Lisboa, filho de D. João
e D. Carlota Joaquina, chega ao Rio de Janeiro
em 1808 com a família real. Com o retorno
da família para Portugal em 1821, torna-se
príncipe regente do Reino do Brasil.
Em janeiro de 1822, D. Pedro anuncia sua decisão
de permanecer no país, e em 7 de setembro
proclama a independência do Brasil. No
mesmo ano é aclamado Imperador e coroado
com o título de D. Pedro I.
DUQUE DE CAXIAS - (1803-1880)
Marechal Luís Alves de Lima e Silva
tem o seu nome inserido no Livro dos Heróis
da Pátria, com inscrição
feita em 28 de janeiro de 2003.
Luís Alves nasce em 25 de agosto no Rio
de Janeiro. Em 1821 já era tenente a
serviço do Batalhão do Imperador.
Participa dos movimentos para a independência,
pacificando várias províncias
rebeldes.
Nomeado Comandante-em-chefe das forças
do Império em operações
contra o Paraguai, conclui sua jornada com a
tomada de Assunção em 1869. Em
1870, é elevado a Duque, sendo o único
com esse título no país. Morre
em 07 de maio de 1880, na Fazenda Santa Mônica,
em Vassouras, estado do Rio de Janeiro. Em 1962
é instituído “Patrono do
Exército Brasileiro”.
PLÁCIDO DE CASTRO - (1873-1908)
José Plácido de Castro tem o
seu nome inserido no Livro dos Heróis
da Pátria em 17 de novembro de 2004.
Militar, nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade
de São Gabriel. Em 1899 foi para o Acre,
e, como o governo brasileiro reconhece a soberania
da Bolívia sobre a região, lidera
os brasileiros instalados no território
para expulsar os bolivianos. Derrotados estes,
em 1903 proclamou-se a autonomia do Acre, obrigando
as forças bolivianas à capitulação.
Castro assumiu a chefia do governo provisório.
ALMIRANTE TAMANDARÉ - (1807-1897)
Joaquim Marques Lisboa, tem o seu nome inserido
no Livro dos Heróis da Pátria
em 13 de dezembro de 2004. Nasceu no Rio Grande
do Sul, na cidade de Rio Grande, tomou parte na campanha da independência
participando em vários momentos da repressão
aos revolucionários, participou da Confederação
do Equador, da Campanha Cisplatina e na Guerra
do Paraguai foi combatente determinado.
Tamandaré entrou para a Marinha com 15
anos, exerceu elevados cargos, fazendo com que
sua bravura nas batalhas que participou assinalasse
grandes momentos na História da Pátria.
É Patrono da Marinha Brasileira e na
data de seu nascimento, 13 de dezembro, comemora-se
o Dia do Marinheiro.
ALMIRANTE BARROSO - (1804-1882)
Francisco Manoel Barroso da Silva tem o seu
nome inserido no Livro dos Heróis da
Pátria em 11 de junho de 2005. Nascido
em Lisboa, Portugal, veio para o Brasil em 1808
junto com a Comitiva da Família Real
portuguesa.
Em 1821 ingressou na Academia de Marinha no
Rio de Janeiro. Participou de combates na Guerra
da Cisplatina, em operações contra
a Cabanagem, na Província do Pará,
e comandou a Força Naval Brasileira na
Batalha Naval do Riachuelo.
Ocupou diversos cargos de relevância na
Marinha brasileira sendo reformado em 1873 no
Posto de Almirante.
ALBERTO SANTOS DUMONT – (1873-1932)
Marechal-do-Ar Alberto Santos Dumont teve o
seu nome inserido no Livro dos Heróis
da Pátria em 26 de julho de 2006, em
comemoração ao ano do Centenário
do Vôo do 14-bis, realizado em 23 de outubro
de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, na
presença de uma comissão oficial,
de centenas de pessoas e de uma câmara
cinematográfica que registrou este fato
histórico.
Assim, exatamente às 16 horas e 45 minutos
daquele dia, num momento que ficou conhecido
como “um minuto memorável na história
da navegação aérea”,
o homem conseguiu, pela primeira vez no mundo,
voar em um aparelho mais pesado que o ar, que
se elevou do solo sem qualquer ajuda externa.
Santos Dumont nasceu em Minas Gerais no dia
20 de julho de 1873, na fazenda Cabangu, paróquia
de Palmira. A sua cidade natal hoje tem o seu
nome, Santos Dumont.
Feito patrono da Aeronáutica e da Força
Aérea Brasileira, Santos Dumont passou
a figurar permanentemente no quadro de oficiais-aviadores
da Aeronáutica militar brasileira, com
o posto de tenente-brigadeiro, pela lei 165,
de 05 de dezembro de 1947. A lei 3.636, de 22
de setembro de 1959, atribuiu-lhe o posto honorífico
de marechal-do-ar.
Faleceu em 23 de julho de 1932, no Guarujá,
estado de São Paulo.
JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA – (1763- 1838)
Cognominado o Patriarca da Independência, nasceu no dia 13 de junho de 1763, na cidade de Santos, estado de São Paulo.
Seu nome foi inserido no Livro dos Heróis da Pátria, em 21 de abril de 2007, dentre as comemorações do quadragésimo sétimo aniversário de Brasília.
Em Coimbra formou-se em Ciências Naturais e Direito, e graças aos seus grandes conhecimentos foi convidado a entrar para a Academia de Ciências de Lisboa.
Durante dez anos viajou pela Europa, aprofundando os seus conhecimentos, retornando a Portugal em 1800 quando recebeu as honras de desembargador e o título de doutor em Filosofia, sendo nomeado professor de Geognosia e Metalurgia em Coimbra.
Em 1819 retorna ao Brasil, iniciando uma fecunda carreira de homem público. Sua grande capacidade e seus dotes políticos tornaram-no, junto a D. Pedro I, o principal articulador da nossa Independência. O grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, foi, na verdade, o arremate do processo de emancipação, do qual José Bonifácio foi o grande arquiteto.
Era considerado o mais culto brasileiro do seu tempo.
Em 1831, D. Pedro I, ao abdicar da Coroa, indicou-o para tutor de seu filho, o herdeiro do trono e de suas irmãs.
Nos últimos dias de sua vida mudou-se para a atual cidade de Niterói, aonde veio a falecer em 6 de abril de 1838.
O Painel da Inconfidência
Mineira
Obra executada pelo pintor João Câmara
Filho que, em julho de 1985, foi convidado por
Oscar Niemeyer e pelo então Governador
do Distrito Federal José Aparecido de
Oliveira, para realizar o painel, cujo tema
está centrado na Inconfidência
Mineira.
A escolha do tema levou em conta o sentimento
unânime de que o espírito da Inconfidência
Mineira foi o precursor da idéia de nação
livre e soberana.
O Mural da Inconfidência é composto
por sete quadros e é a primeira obra
do artista em Brasília. A pintura propriamente
dita foi concluída em 30 de março
de 1986, e foi executada em tinta acrílica
nas cores preto e branco, sobre tela esticada
em chassi de alumínio. Possui 84 m²
de área, sendo 21 m de comprimento por
4 m de altura; cada quadro possui 3 m de largura
por 4 m de altura.
Cada um dos quadros tem título e história
próprios, dentro de um contexto geral,
que simboliza uma das páginas mais ricas
da história do Brasil.
1º PAINEL - O SACRIFÍCIO
DA INDÚSTRIA NACIONAL
Representa a queima dos teares e o sacrifício
alegórico da jovem indústria nacional,
enquanto reluz vivo e brilhante, entre as chamas,
o triângulo da Inconfidência Mineira.
O Painel denuncia a oposição imposta
por Portugal e pela Inglaterra ao movimento
fabril e mercantil brasileiro, no final do século
XVIII.
2º PAINEL - REUNIÃO DOS
INCONFIDENTES
Mostra uma das incontáveis reuniões
dos inconfidentes. A cena se passa num sótão,
mantendo-se as características do ambiente
e do vestuário da época. Como
não existe nenhuma representação
dos inconfidentes através de imagem,
o artista tomou por modelo seus amigos mais
íntimos, observando a idade dos personagens
representados. O inconfidente sentado com os
pés sobre os livros seria Tiradentes,
só que aí o pintor se auto retrata
como se Tiradentes fosse. É o artista
se imortalizando na própria obra.
3º PAINEL - PREGAÇÃO
DE TIRADENTES
No terceiro painel nós temos Tiradentes
pregando seus ideais de liberdade. A cena nos
retrata Tiradentes vestindo sua farda de alferes
do século XVIII tendo ao fundo uma mina
do século XX, a mina de Serra Pelada,
indicando, assim, a sua movimentação
atemporal dentro do espírito de liberdade.
A intenção do painel está
na perenidade da mensagem símbolo da
pregação de Tiradentes. A movimentação
física de sua pregação
está representada pela superposição
das patas do cavalo. A cobra aos pés
do cavalo representa a traição
ao movimento da Inconfidência.
4º PAINEL - A MORTE DE CLÁUDIO
MANOEL DA COSTA
No quarto painel uma homenagem ao poeta Cláudio
Manuel, um dos inconfidentes. Estando preso
com os outros inconfidentes, numa certa manhã
o seu corpo é encontrado morto por enforcamento.
Os portugueses diziam que ele se suicidou, os
brasileiros da época que ele foi assassinado.
Apesar das muitas pesquisas, não se sabe
até os dias de hoje o que realmente aconteceu.
5º PAINEL - A FARSA DO JULGAMENTO
No quinto painel nós temos a farsa do
julgamento dos inconfidentes. Concebida como
um teatro grotesco, esta cena põe em
jogo as cartas marcadas da sentença que
lhes foi dada, pois, ao serem julgados pela
Corte, já estavam previamente condenados
por determinação da Rainha de
Portugal D. Maria. Os tipos históricos
foram representados como efígies, pois
aí, praticamente, fala-se o idioma-clichê
da história oficial.
6º PAINEL - O ENFORCAMENTO DE
TIRADENTES
Neste quadro aparecem em cena: o Mártir,
o carrasco e o religioso. Simbolicamente, o
autor tenta marcar o limite entre o realismo
e o imaginário. O público é
reduzido à sombra que aparece no fundo.
7º PAINEL - O CORPO
O corpo de Tiradentes, embora esquartejado,
é recomposto numa crucificação,
tendo como pano de fundo a cidade de Vila Rica,
hoje, Outro Preto, onde todos os fatos aconteceram.
O aspecto comum em toda a obra é o triângulo,
símbolo do movimento da Inconfidência
Mineira e a lamparina que, ora acesa, ora apagada,
faz uma referência à luz, luz de
liberdade.
João Câmara
Filho - (1944)
Nasceu aos 12 de janeiro de 1944 em João
Pessoa, capital do Estado da Paraíba.
Estudou pintura no curso livre da Escola de
Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco,
entre 1960 e 1963. Neste ano é eleito
presidente da Sociedade de Arte Moderna do Recife
e cursa xilogravura, sob orientação
de Henrique Oswald e Emanoel Araújo,
na Escola de Belas Artes de Salvador.
Em 1964, funda com Adão Pinheiro, José
Tavares e Guita Charifker o ateliê Coletivo
da Ribeira e, em 1965, o Ateliê +Dez,
ambos em Olinda.
Entre 1964 e 1968, cursa psicologia na Universidade
Católica de Pernambuco. Entre 1967 e
1970, leciona pintura na Escola de Belas Artes
da Universidade Federal da Paraíba. Em
1974, monta um ateliê de litografia, transformado
depois na Oficina Guaianases de Gravura, hoje
instalada no Mercado da Ribeira, em Olinda,
e incorporada à Universidade Federal
de Pernambuco.
Em 1980, funda a Associação dos
Artistas Plásticos de Pernambuco e, em
1987, assume o cargo de assessor da Secretaria
de Estado da Cultura, Esportes e Turismo do
mesmo estado. Em 1991, recebe o Diploma Lula
Cardoso Ayres, do Conselho Estadual de Cultura
de Pernambuco, pela atuação no
campo das artes plásticas.
Desde 1994 é membro do Conselho Nacional
de Política Cultural.
Em 1995, recebe Grau de Comendador da Ordem
do Rio Branco.
Atualmente mora e tem ateliê montado em
Olinda-PE. Possui um extenso currículo
que o credencia como um dos principais artistas
plásticos de nossa época, com
reconhecimento nacional e internacional, sendo
premiado diversas vezes no Brasil e no exterior.
A Inconfidência
Mineira
A Revolução Francesa e
a Revolução da Independência
dos EUA tiveram profunda influência no
Brasil. Estes dois movimentos históricos,
expressão das crises do absolutismo e
do sistema colonial, respectivamente, estimularam,
fortemente, as aspirações autonomistas
e liberais dos brasileiros.
O domínio da metrópole, caracterizado
pelas injustiças e despotismos, passou
a ser abertamente contestado. As idéias
dos filósofos do iluminismo (princípios
franceses) e as leis da América independente
forneceram o arsenal doutrinário aos
grupos nacionais ansiosos pela liberdade.
Em Minas Gerais criavam-se as condições
mais favoráveis ao impulso de libertação,
pois era a Capitania que mais duramente experimentava
a espoliação de suas riquezas,
pela metrópole.
O alvará de cinco de janeiro de 1785,
que fechava as manufaturas de tecidos finos
na Colônia, determinando a destruição
dos teares, a proibição na Capitania
do uso de estradas do interior para o litoral,
a fim de barrar o contrabando de ouro em atraso,
que representava pesadíssimo encargo,
fizeram aumentar a insatisfação.
Com a reunião de estudantes recém-vindos
da Europa, com idéias libertárias,
o alferes Joaquim José da Silva Xavier,
os poetas Tomás Antônio Gonzaga,
Cláudio Manoel da Costa e Inácio
José de Alvarenga Peixoto, o padre Carlos
Toledo e tantos outros, tomou corpo a idéia
do movimento emancipador.
Nas reuniões dos conspiradores tratavam-se
de idéias e projetos. Alvarenga Peixoto
sugeriu, como lema para a nova bandeira, o verso
de Virgílio "Libertas Quae Sera
Tamem" (liberdade ainda que tardia) e o
alferes propôs que nela constasse um triângulo
representando a Santíssima Trindade,
talvez também referência à
simbologia maçônica. Pretendia-se
o estabelecimento de uma república independente
em Minas, com possível adesão
de outras Capitanias.
Mas o movimento, ao estender-se, permitiu a
infiltração de elementos inseguros.
O coronel Joaquim Silvério dos Reis,
português que devia elevada soma a Fazendo
Real e pensava, com a traição,
furtar-se ao pagamento, delatou a trama ao Visconde
de Barbacena. O governador mandou imediatamente
sustar o lançamento da derrama, retirando,
assim, com habilidade, o motivo imediato da
revolta. Tiradentes foi preso no dia 10 de maio
de 1789, na casa de um ourives, e, a seguir,
foram os demais implicados postos a ferros e
incomunicáveis.
Cláudio Manoel da Costa morreu na prisão.
Os demais "réus" foram todos
enviados ao Rio. Numa primeira sentença,
por ordem da Rainha de Portugal D. Maria, todos
os inconfidentes foram condenados à morte,
porém, numa nova decisão, baseada
em carta de clemência da mesma, essas
condenações, exceto a de Tiradentes,
foram comutadas em desterro perpétuo
na África.
Tancredo Neves - (1910-1985)
No dia 21 de abril de 1985, quando a Nação
lembrava o enforcamento do Mártir da
Independência - "O Tiradentes",
a notícia do falecimento de outro brasileiro
ilustre era anunciada: "Morre, às
vésperas da posse, o presidente da República,
Tancredo de Almeida Neves".
A partir de então, o País acalenta
as lembranças do político que
possuiu o mais formidável currículo
que um homem público poderia ter: vereador,
deputado federal, ministro da Justiça,
primeiro-ministro, senador, governador e presidente
da República.
O Articulador da Nova República, como
passou a ser chamado, era um mestre na arte
da conciliação.
Tancredo é lembrado como hábil
negociador da transição do regime
de exceção, em vigor a mais de
20 anos no País, para um sistema livre
e democrático. Homem com trânsito
e confiabilidade das correntes divergentes politicamente,
coube a ele ser o costureiro das sutilezas,
evitar os revanchismos, inibir os excessos de
ambos os lados, afastar as radicalizações
para congregar estas forças e convencer
os seus representantes a permanecerem unidos
na votação do, até então
em vigor, Colégio Eleitoral, para a vitória
final. Esta hábil articulação
foi, sem dúvida, a parte mais brilhante
da sua vida política.
Tancredo Neves foi um marco na solidificação
das instituições da democracia
brasileira, e o Panteão da Pátria,
com seu nome, procura manter viva a chama dos
ideais da liberdade.
Nascido em São João Del Rei,
no dia 04 de março de 1910, Tancredo
participou ativamente da política nacional
durante quase 50 anos, dos quais 22 deles vividos
em Brasília.
Panteão da Pátria
Tancredo Neves
Praça dos Três Poderes
Brasília – DF
CEP – 70.100-000
Telefones: (61) 3325-6244 - Tele fax:
3323-3728
E-mail: cc3poderes@sc.df.gov.br
Aberto de segunda a domingo, inclusive
feriados, das 09h às 18h.